A Filosofia da Pérola: ressignificando as nossas feridas

 

O caminho para encontrar a harmonia é através da ressignificação dos conflitos internos

 

Você carrega consigo fardos gerados por dores passadas? Já sofreu injustiças ou abandonos que te impedem de viver em plenitude até hoje? As palavras duras de alguém já te fizeram perder o sono?

Todas essas mágoas e feridas que carregamos podem ser observadas e cicatrizadas a partir do processo de transformação. 

É isso o que a Filosofia da Pérola prega e vamos falar sobre ela hoje.

 

O que a Filosofia da Pérola nos ensina

 

Quando pensamos na Filosofia da Pérola, fazemos uma analogia ao processo que a ostra vive até a formação da pérola.

A ostra primeiro é ferida, invadida por uma pedra que não consegue liberar. A pedra está ali, junto com ela quando se move, não importa o que ela faça. 

A ostra, por sua vez, não tenta resolver o problema a expulsando. A ostra envolve a pedra devagar, assimilando-a e lidando com ela.

Por muitas vezes, é isso que acontece conosco. Temos uma pedra ali incomodando, um trauma que nos persegue em cada relacionamento. 

E para conseguir gerar nossas próprias pérolas, precisamos lidar com ele.

As pérolas são feridas que foram transformadas.

 

O poder da sublimação

 

Freud falava sobre o conceito da sublimação como o ato de transformar a energia de algo negativo em força. 

Não é a inclinação de apagar o trauma, mas dialogar com ele e transformá-lo. É a ação de se permitir conhecer coisas novas. É ter a paciência para lidar com o processo e a vontade de observar para criar estruturas de pensar e pensar de maneira diferente.

Alguns processos são mais rápidos, outros são mais lentos. Mas cada processo carrega um mundo de possibilidades.

Reich afirmava que existem 2 coisas que definem a vida: o amor e o trabalho. 

Temos amor pela vida, pela natureza, por pessoas, projetos e propósitos. Já o trabalho é a ação que empregamos para colocar esse amor em movimento, é também uma atitude que traz retorno e que gera benefício para alguém. 

E o trabalho também se traduz em um trabalho artístico. Um elemento que une arte e estética. A estética significa enxergar a vida a partir dessas múltiplas possibilidades, é ver a natureza em sua grandeza.

Esses elementos também ajudam na transformação que buscamos, a transformação do trauma em força. As pessoas utilizam a criatividade e isso as ajudam no processo, faz com que se sintam bem.

Jung utilizava muitos desses exemplos. Falava sobre pessoas que depois de anos em uma rotina que não agregava valor, subitamente percebem que precisam de algo a mais.

A partir da arte, passam a valorizar as pequenas coisas. Elas descobrem o valor da sensibilidade e da humildade, assim conseguem viver com os pés mais firmes no chão.

 

A relação do Self com emoções conflitantes

 

Na Psicologia do Self, mencionamos os crivos que revelam quando uma pessoa está mais centrada, alguém que sabe que pode explorar as próprias emoções, a partir do seu centro, um espaço interno mais enraizado.

A partir disso, cria-se mais consciência, mais lucidez e mais conexão. Passamos a buscar relações mais saudáveis. Não há um apego excessivo nem uma fuga.

Você pode fazer amizade com as emoções difíceis e dessa relação, nasce a alegria. Nasce também a curiosidade por tudo ao seu redor e tudo aquilo que compõe quem você é.

Essa curiosidade vai te levar a fazer as perguntas importantes.

 

“O que são essas sombras, esses sublugares que me compõem?” 

 

Essas sombras também falam sobre a vida. Podem ser compreendidas através de atividades como ioga, meditação, arteterapia, entre outras expressões… Todas essas são ações que abrem espaço para os processos de visualização.

 

A luz da transformação em nós

 

O Professor Marcelo Pelizzoli gosta de citar a frase de Rumi, um autor do século XIII, que diz que “A luz entra no ser humano por meio da ferida”.

A luz entra em nós por um caminho especial. Ela entra em nosso ser por meio daquilo que incomoda e causa dor. Ela é resultado da reunião de nossas experiências e da transformação do que era ruim em algo que nos fortalece. 

Jung costumava dizer que a diferença entre o psicótico e o místico, o louco e o santo, era que se os dois fossem atirados ao mar, o santo saberia nadar.

Esse mar é a vida e essa analogia se refere à maneira como nadamos. Não devemos tentar cortar o mal e o ignorar, ou até mesmo tentar suprimir o mal. Temos que nadar no mar, lidar com o trauma.

Esse espaço da transformação não acontece da noite para o dia. É um processo de dissolução que não apaga o que aconteceu, mas que ressignifica.

Esse é um dos assuntos principais que trabalhamos no curso Os 5 Passos de Transformação de Conflitos Internos. Um caminho que possibita que você consiga se desprender do passado e crenças que vem te aprisionando, ajudando a trilhar um futuro com mais equilíbrio e consciência.

Desejamos que você possa seguir o caminho da Filosofia da Pérola e transforme o que for possível, em frutos maduros para entregar à Vida.

Você tem estado consciente das pérolas que já transformou durante a sua vida? Lembra que elas são recursos para lapidar novas pérolas.

 

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1 Comentário
  • Alilton Gomes Silva
    Postado às 08:12h, 09 julho Responder

    Achei muito interessante a definição da filosofia da pérola. É necessário identificar as nossas pérolas, inicialmente é preciso saber como lidar com elas e buscar ” ferramentas ” para lapidar novas pedras em nossas vidas.

    +1

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