Dimensões da alma: a transformação do ser através do mundo psíquico

Quais são as dimensões da nossa alma? Quais são as partes que compõem esse elemento que liga o ser físico ao ser espiritual? 

 

Quando falamos sobre os mundos que habitamos, a Antroposofia nos explica que o nosso viver é atravessado por fases, 3 grandes períodos.

Esses períodos marcam o nosso desenvolvimento e a nossa evolução ao longo dos anos, sendo cada um representativo de transformações e amadurecimentos.

A fase dos 21 aos 42 anos é a chamada fase das Dimensões da alma e é sobre esse período que trataremos abaixo.

 

Ênfase no mundo psíquico

 

No período dos 21 aos 42 anos, vivenciamos a fase intermediária dos mundos. É a fase do desenvolvimento das almas, formada por três setênios: dos 21 aos 28 anos, dos 28 aos 35 e dos 35 aos 42 anos.

Esse é o momento de vivenciar o amadurecimento psíquico. Segundo Karina Schmidt Brancher, aconselhadora biográfica, é um movimento de autoeducação, de troca com a vida e de enraizamento no mundo.

Na Antroposofia, entende-se a alma como aquela que unifica e faz a negociação entre o mundo biológico e físico com o mundo cultural, mental e espiritual. Ela intermedia esses polos.

Ainda, de acordo com Karina, por meio da alma, o homem se forma como um ser espiritual que mora no mundo e é consciente desse mundo. A alma traz a possibilidade desse homem estar no mundo. Ela é o elo entre os mundos físico e espiritual.

O corpo biológico-físico se torna espiritualizado e dotado de consciência através da alma. De acordo com a ciência antroposófica, nós somos e estamos espíritos. Eles não são distintos da matéria, mas pelo contrário, manifestam-se através dela.

É através de conceitos da alma que esse período dos 21 aos 42 anos se divide em outras três fases: a alma das sensações, a alma da razão e a alma da consciência.

 

Alma das sensações

 

A alma das sensações é a instância psíquica mais próxima aos processos biocorporais, ao corpo físico. Ela representa o primeiro estágio nessa jornada de consciência para além dos corpos. 

 

Está relacionada ao natural e ao corpo astral, é também a fase mais carregada de subjetividade humana.

Vive-se a alma das sensações entre os 21 e os 28 anos, um período em que estamos buscando o nosso lugar no mundo. Estamos muito agitados, muito conectados a experiências e sensações do mundo físico.

Movidos por sentimentos como desejo, libido, paixão e impulsividade. Reagimos a situações de maneira brusca. Tudo nos parece muito extremo e intenso, vivemos influenciados por inquietação e movimento.

Estamos tomados por potência vital e por uma busca ainda desorganizada. Esse é o momento em que estamos nos preparando para a vida.

 

Alma da razão e da índole

 

Essa é a instância psíquica intermediária, é o meio da outra instância intermediária, que é a alma. Aqui já se percebe que fazemos um movimento de afunilamento e aprofundamento.

Essa fase proporciona uma vida interior mais intensa. Não estamos tão ligados a sensações e processos corporais. 

Já nos desconectamos do prazer e do desprazer, dos gostos e desgostos, das reações impulsivas e do agir sem pensar.

 

Aqui iniciamos o processo de olhar para o longo prazo. É um período ligado a conhecer mais o que vem de dentro e não tanto o que vem do mundo. Olhamos para o que tem a ver conosco, com os nossos impulsos e processos.

Não mais somos movidos pela necessidade de tentar e experimentar tudo, vamos adentrando um espaço de experiências mais concentradas. Estamos nos aprofundando em nós mesmos e buscando criar raízes naquilo que faz sentido para nós.

Esse período é também marcado por uma busca pela complementariedade, por administrar as polaridades. Como assim? Buscamos encontrar o caminho do meio, do equilíbrio entre o dentro e o fora, a integração entre o masculino e o feminino.

 

Alma da consciência

 

A terceira instância é a mais próxima do espírito. A alma da consciência traz identidade e o sentido de propriedade sobre si mesmo. Ela oferece uma maior abertura para o espiritual, incentivando um contato profundo consigo e criando pontos de conexão com o que vem do espírito.

 

São os valores morais, as metas, as tarefas, o caminho biográfico. Todos os elementos que nos convidam a alcançar a nossa essência, a encontrar lugares íntimos em nós mesmos.

São as perguntas importantes que temos que nos fazer: 

  • Quem sou eu? 
  • O que vim fazer? 
  • Qual o meu lugar? 
  • Quais ações devo tomar para alcançar o destino que desejo?

 

É aqui que encontramos e nutrimos as relações que queremos manter. Estabilizamos e fortalecemos o nosso lugar no mundo, descobrindo quem somos na verdadeira essência. 

Esse pensar espiritual está ligado a consciência, a ter consciência sobre si, os processos e as atitudes.

Segundo Karina, esse é tanto um passo no desenvolvimento individual como da humanidade. Para a Antroposofia, todo indivíduo moderno vive em uma atmosfera cultural da alma da consciência.

Hoje o indivíduo assume sua autonomia e busca quem é para além do meio onde nasceu ou foi criado. Independentemente de qual grupo racial, religioso ou geográfico pertence, o indivíduo faz a jornada em busca da sabedoria de vida.

O nosso tempo nos estimula a ter esse vínculo com nós mesmos. Existe essa individualização. O pensamento de que:

 

 

“Eu sou. Não preciso ser o que o meu grupo de amigos ou familiares querem que eu seja. Sou alguém porque sou”.

 

 

A noção de comunidade foi mudando e dando lugar ao destino individual, a decisão de seguir os próprios caminhos independentemente do coletivo. 

Mas é preciso ter consciência de si e do mundo para isso dar certo. Vivemos hoje, com a pandemia, um exemplo de que essa individualização não pode dar brechas para o egoísmo.

A comunidade não pode apagar nem ficar acima de indivíduos. Esse é o chamado do mundo. Contudo, não podemos somente cuidar de nós mesmos ou das pessoas que amamos.

Precisamos cuidar de outros grupos alheios a nós, precisamos cuidar de toda a humanidade. A humanidade somos nós. Caso não cuidemos dela, uma hora todos acabarão sofrendo por isso.

Esse é um dos conteúdos que trabalhamos em três níveis de aprofundamento: na Série online: O Humano em Nós – consciência da Alma e a alma da Consciência, no nível mais informativo;  na Imersão do Biográfico Antroposófico, uma vivência na qual a Karina nos apresenta um método de ordenação da própria biografia; e na Trilha de Ativação do Eixo do Eu, quando adentramos mais profundamente na compreensão e desenvolvimento desse processo de iniciação.

Também queremos te convidar a acompanhar o Canal Somos Universidade do Ser no Telegram! Por lá estamos compartilhando uma série em áudios sobre os Ritmos da Vida, tarefas e desafios de cada ciclo de sete anos, chamados setênios para a Antroposofia. 

Sabemos bem que enfrentamos obstáculos ao longo da nossa jornada e por isso reservamos esses conteúdos acolhedores para que juntos possamos trazer luz, compreensão e discernimento para os nossos desafios de Ser.

Nos vemos em algum desses pontos de contato!

Abraços fraternos.

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